Igreja no mundo

Arcebispo Fulton Sheen é oficialmente Beatificado

Por Equipe de Redação • 25/09/2026

ST. LOUIS (EUA) — O Arcebispo Fulton J. Sheen – teólogo, evangelizador, pioneiro das comunicações católicas e um dos maiores pregadores americanos do século XX – é oficialmente o mais novo beato da Igreja Católica. A declaração ocorreu em uma missa histórica realizada nesta quinta-feira (24) no The Dome at America's Center, em St. Louis, Missouri.

O local, selecionado pela Diocese de origem de Sheen em Peoria, Illinois, precisou de dimensões colossais para acomodar os milhares de peregrinos. Segundo os organizadores, cerca de 50 mil pessoas estiveram presentes para acompanhar a cerimônia, que marca o penúltimo passo rumo à canonização do carismático religioso.

A cerimônia e o rito de beatificação

El cardenal Luis Tagle, pro-prefecto del Dicasterio para la Evangelización, pronuncia la homilía durante la Misa de beatificación del beato Fulton J. Sheen, celebrada el 24 de septiembre de 2026 en The Dome at America's Center, en San Luis. (Foto de OSV News/Margaret Murray)
O cardeal Luis Tagle, pró-prefeito do Dicastério para a Evangelização, pronuncia a homilia durante a Missa de beatificação do beato Fulton J. Sheen, celebrada em 24 de setembro de 2026 no The Dome at America's Center, em St. Louis. (Foto: OSV News/Margaret Murray)

O rito oficial de beatificação ocorreu logo no início da liturgia, entre o Rito Penitencial e o cântico do Glória. O Bispo Louis Tylka, da diocese de Peoria, fez o pedido formal de beatificação ao delegado papal, o Cardeal Luis Antonio Tagle, pró-prefeito do Dicastério para a Evangelização da Santa Sé.

Após a leitura de uma breve biografia de Fulton Sheen, o Cardeal Tagle pronunciou o decreto formal enviado pelo Papa Leão XIV. Com a proclamação pública, Sheen passou a ser formalmente contado entre os "beati" (palavra latina para "bem-aventurados"), permitindo sua veneração pública.

 

Sheen no estúdio de seu programa na década de 1950. Fonte: Life Magazine

O pioneiro da televisão e o retrato oficial

Muito antes do advento da internet, Fulton Sheen (1895–1979) compreendeu o poder da mídia para a evangelização. Na década de 1950, ele se tornou uma presença constante nos lares americanos com seu programa de televisão Life is Worth Living (A Vida Vale a Pena). Competindo no horário nobre com grandes astros do entretenimento, alcançava uma audiência semanal de cerca de 30 milhões de espectadores, feito que lhe rendeu um prêmio Emmy.

Em homenagem a essa trajetória, durante a celebração de ontem foi revelado o retrato oficial do agora Beato Fulton Sheen, retratado com uma auréola. Na imagem, ele aparece segurando um pedaço de giz — um detalhe notável e afetuoso, já que o uso do giz e de um quadro-negro era sua marca registrada para traduzir dilemas complexos de filosofia e fé em seu programa televisivo.

 

O milagre e a apresentação da relíquia

Para que uma pessoa seja beatificada, a Igreja exige a comprovação técnica e teológica de um milagre ocorrido por sua intercessão após a morte. O milagre que elevou Sheen aos altares foi a cura cientificamente inexplicável do bebê James Fulton Engstrom.

Em setembro de 2010, James nasceu sem sinais vitais. Sem respirar e sem pulso, o recém-nascido permaneceu clinicamente morto por 61 minutos. Enquanto a equipe médica se preparava para declarar o óbito, os pais rezavam pedindo a intercessão do Arcebispo Sheen. Subitamente, o coração do bebê voltou a bater e, contrariando as previsões de falência múltipla de órgãos e danos cerebrais, ele se recuperou sem sequelas.

Hoje, aos 16 anos, o jovem James Fulton Engstrom esteve presente na missa e teve um papel central: foi ele quem apresentou a relíquia de primeiro grau do Arcebispo. Fechada em um relicário especial, a relíquia escolhida foi a mandíbula (maxilar) de Fulton Sheen. A escolha foi altamente simbólica, representando os tremendos dons do arcebispo como orador, professor e evangelista.


Caminho para a canonização

Com a beatificação oficializada, Fulton Sheen fica a apenas um passo da canonização, que representa o reconhecimento universal de sua santidade. Para que ele seja declarado santo, o Vaticano precisará atestar um segundo milagre atribuído à sua intercessão.

A regra canônica é estrita: esse segundo evento extraordinário deve, obrigatoriamente, ocorrer após a data de sua beatificação. Caso um novo milagre seja comprovado pelos tribunais médicos e teológicos de Roma nos próximos anos, caberá ao Papa assinar o decreto final, inscrevendo definitivamente o pioneiro da comunicação no cânone dos santos.